ECONOMÊS
Estendes a mão ao final do mês à espera dos trocos que ficam sobre a mesa sejam, por fim, sacudidos para o chão. O teu trabalho de horas, dias e outras vidas que alimenta o banquete do aforro que não tem coração. Deixas o que precisas para alimentar quem come numa mesa que nada sobra, bebes a água onde alguns mijam a urina das bebidas que vês nas montras onde só entra o patrão. Escolhes a roupa para cobrir o corpo aquecê-lo em dias frios apesar dos remendos feitos de sobras da vaidade dos que sem penas se passeiam como um pavão. Vaiam-te, sorrindo porque assim não se veste quem faz parte da corte onde só entra quem é ladrão. Os teus filhos na escola chumbam a escola dos fundos, tapadas, recolhidas sem qualquer razão, apenas porque ali não anda os filhos do cortesão. Com pés frios, mãos enregeladas escrevem o ditado que lhes gritam sem qualquer hesitação — estejam quietos, não se mexam aquilo que vão viver com humildade têm que aceitar...
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