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A mostrar mensagens de 2018

Tempo moral

Tudo aquilo que somos já aconteceu. Aquilo que faço para ser feliz é o que acontece. No que vai acontecer não existe bem-estar ou dor.

MORALIDADE TUDO DO MESMO SACO.

Os ateus afirmam que todos (sem excepção) os cristãos não têm qualquer moral porque há padres pedófilos. Os cristãos afirmam que todos (sem excepção) os ateus não têm qualquer moral para falar de vida e casamento porque vivem em pecado e não entendem ou acreditam em Deus. Os do clube X afirmam que todos (sem excepção) do clube Y não têm qualquer moral porque se fala que há corrupção, ou outras coisas menos correctas, nesse clube. Os do clube Y afirmam que os do clube X não têm qualquer moral porque também já fizeram o mesmo ou pior. Os que são contra o casamento afirmam que todos (sem excepção) os casados não têm qualquer moral porque há violência doméstica nas famílias. Os casados afirmam que todos (sem excepção) os que são contra o casamento não têm qualquer moral para falar de família porque não a têm. Os da esquerda afirmam que todos (sem excepção) os da direita não têm qualquer moral porque fizeram uma lei que favorece os proprietários ricos contra os inquilinos pobres. Os da dire...
Colocar no facebook frases a repudiar as injustiças do mundo serve mais para aumentar a impunidade e a continuidade do acto por quem as pratica, pois, na grande maioria das vezes, termina aqui a acção particular que poderia produzir a mudança. Subversivos de cadeirão. É como quem paga (não dá) para ajudar quem precisa e quando comenta o acto altruísta que praticou releva somente para o que deu e a intenção com que deu concluindo que, com essa esmola, resolve a sua responsabilidade em relação a esse problema. Altruísmo de albarda. https://www.youtube.com/watch?v=xTUrwO9-B_I&t=2358s

Máscara.

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Escolher a própria máscara é o primeiro gesto voluntário humano. E é solitário. Clarice Lispector.

Mais um dia que não se passou.

Hoje dou-me por satisfeito. Não preciso de fazer mais nada. No entanto, continua tudo por fazer. É a vida! Quem usou o último bocado de papel higiénico e não mudou o rolo?

Opostos.

Está quieto Heraclito para quê andar se não precisas deixa-te estar lá vais parar. Anda, anda Parménides levanta-te, mexe-te rapaz. Não és um número, ou és, és… ou não és? não te mexes? não tens pés?

Desarrumado puro acaso.

Encontrei um amigo que não via há muito tempo. Mandaram-me arrumar o que estava desarrumado. Que chatice! Mas, o que eu gostei foi estar com um amigo que tropecei por não estar no lugar onde costuma estar arrumado na vida. Mandaram-me arrumar aquilo que desarrumei. Mas eu prefiro as coisas, desarrumadas. São mais fáceis de encontrar! Se tudo tivesse desarrumado eu tropeçava em tudo aquilo que tenho que viver sem saber. Caía nas coisas, acidentalmente. Levantava-me para encontrar.

ECONOMÊS

Estendes a mão ao final do mês à espera dos trocos que ficam sobre a mesa sejam, por fim, sacudidos para o chão. O teu trabalho de horas, dias e outras vidas que alimenta o banquete do aforro que não tem coração. Deixas o que precisas para alimentar quem come numa mesa que nada sobra, bebes a água onde alguns mijam a urina das bebidas que vês nas montras onde só entra o patrão. Escolhes a roupa para cobrir o corpo aquecê-lo em dias frios apesar dos remendos feitos de sobras da vaidade dos que sem penas se passeiam como um pavão. Vaiam-te, sorrindo porque assim não se veste quem faz parte da corte onde só entra quem é ladrão. Os teus filhos na escola chumbam a escola dos fundos, tapadas, recolhidas sem qualquer razão, apenas porque ali não anda os filhos do cortesão. Com pés frios, mãos enregeladas escrevem o ditado que lhes gritam sem qualquer hesitação — estejam quietos, não se mexam aquilo que vão viver com humildade têm que aceitar...

O mundo é feito de movimento.

Sempre que perdemos um amigo, principalmente um animal, colocamos aqui um post de homenagem. Relembramos os imensos momentos felizes que partilhámos com eles e deixamos a nossa eterna saudade, que terminará no dia em que o céu da boca arrefecer. Eu também já o fiz e, provavelmente, continuarei a fazê-lo.  No outro dia, quando ia na Av. da República em direcção da casa da minha mãe, aconteceu-me algo estranho e pouco comum ao nível dos meus sentimentos para com outros seres. Não era um ser senciente que reclamava atenção, pois se o fosse talvez conseguisse bem mais. A minha e de todos aqueles que vão passando. Era uma senhora com os seus setenta e muitos anos, acho eu, que em voz alta sentada nas escadas dum banco, ironia do destino, pedia ajuda, carinho, atenção ao seu sofrimento. Como animal abandonado que espera de volta quem o abandonou. Todos nós.  A cidade passa e eu também passei, mas enquanto tudo andava, porque o mundo é feito de movimento, e...